Quando eu for grande…

Quando eu for grande(…)
Quero olhar para trás e ver o caminho que percorri,
Pode não ser o mais correto mas que seja o que me fez feliz…
Quero ser alguém que não deixou nada por dizer,
Ter a coragem de falar sem hesitar(!)

Quando for grande não quero esquecer:
Os amigos que sempre ficaram,
As memórias que me fizerem rir/chorar,
As experiências que me fizeram crescer,
As coisas boas que me ajudaram a seguir em frente
Mas também as coisas más que me ensinaram a ser forte e a levantar a cabeça para lutar…

Quando for grande não quero saber do que perdi,
Apenas me interessa o que ganhei,
O que sempre foi meu pode ir embora mil vezes, mas há-de sempre voltar…
O que realmente me pertence pode perder-se vezes sem conta que eu hei-de sempre encontrar…

Quando for grande quero ter a certeza das minhas virtudes,
Dos meus medos,
Dos meus defeitos,
Das minhas ideias,
Dos meus princípios,
Mas principalmente de tudo o que passei até lá chegar…

Quando for grande,
Não quero apenas ser grande…
Quero ser alguém que cresceu e que aprendeu com a vida
Alguém que sabe dar valor ao que tem e luta sempre por mais…

Quando for grande,
Não quero perder a criança que já fui um dia,
Pois foi essa criança que se aguentou em tempos difíceis,
Mas mesmo assim conseguiu (sempre) seguir em frente…

Nada…

Agradeço tudo o que me dás, mas ainda mais valor tem tudo aquilo que não me dás…
É na ausência de sentimento e atenção que damos por nós a suplicar por algo que nunca pensamos sequer existir (!)

Quando todo o corpo grita por mais, é na falta (de) que testamos os nossos limites e entendemos o que realmente pretendemos…

É naquele momento de silêncio, aquele momento em que nada temos – e que nada nos dão – é nesse breve momento que o sangue ferve e damos por nós ali, completamente expostos e prontos a dar tudo de nós mas sem ter ideia do que são capazes de nos oferecer…

É nesse silêncio, nesse parar do relógio que pensamos mil e uma coisas e nenhuma faz sentido…Pois enquanto deixarmos o coração saltar-nos do peito sempre que palpita – nunca – vamos conseguir ser fiéis aos nossos princípios e manter a alma limpa e transparente…

Enquanto deixarmos o sentimento fluir, ele intoxica-nos a mente e agimos como marionetas que qualquer um que saiba pode puxar os fios e fazer-nos dançar(…)

Um dia vou ser forte (e crescer) ao ponto de saber lidar com esse silêncio, e no meio desse momento ser capaz de abrir os olhos e ver o que não têm para me dar, em vez de me perder com aquilo que desejo…

A tempestade

As previsões meteorológicas não são as melhores, espera-se chuva e vento…o frio já nem se fala pois tem sido a companhia das almas vazias…

O frio tem invadido o interior daqueles cujo coração não tem dono, aqueles que não têm quem lhes dê

um abraço quente (tão quente que nos aquece por dentro). Serão eles infelizes, incompletos, ou simplesmente encontraram a sua forma de lidar com a tempestade que lhes invade o peito quando o frio parece mexer com as nossas entranhas?

Que ideia é esta que criaram em nós (?), que para sobreviver temos de encontrar-nos noutra metade, que não somos um todo até descobrir (ou deixar que nos descubram) aquela pessoa que pensa, fala e age de acordo com os nossos ideais…

Dizem-nos e fazem-nos acreditar que precisamos de alguém para conseguir sair à rua quando o vento sopra demasiado forte, que apenas com uma mão a agarrar-nos firme conseguimos enfrentar os tornados que nos enchem o pensamento.

Em tempos acreditei, nessa tal ideia que todos teimam seguir…mas como sempre fui diferente, quer dizer, fizeram-me pensar diferente…desta vez deixei que me ensinassem…acreditei noutros pontos de vista.

Apesar da vida me ter dado experiência, ainda há que saber pôr o orgulho de lado e saber que ainda temos muito (mesmo muito) por aprender! Desta vez deixei que me guiassem, ouvi em vez de falar, pensei em vez de fazer pensar…

Hoje estou diferente porque agi diferente, porque ouvi e deixei que cuidassem de mim…hoje aprendi que para algum dia me sentir completa ou para ser capaz de dar a metade de mim que (por vezes) está vazia tenho de conseguir andar na chuva sozinha e enfrentar o mau tempo em vez de fechar-me em casa a olhar pela janela à espera que passe…

Aí sim, vou ser completa e conseguir completar alguém…duas pessoas que aprenderam a andar na chuva, e agora juntos vamos dançar nela, vamos encontrar-nos no meio da tempestade e sentir o vento a bater-nos na cara(e sorrir), vamos sentir o frio a penetrar nos ossos mas agora(…) nada disso parece demasiado para aguentar, porque um dia já fomos almas vazias e aprendemos a aquecer o nosso interior com a força de vontade, não na crença de que algum dia alguém nos iria completar mas sim que no meio de tanta confusão alguém iria ver o quanto passamos mas ainda assim continuamos de pé.

Por isso almas sozinhas, não desesperem, lidem com o frio (sozinhas) mesmo quando este parece insuportável, pois um dia, toda essa luta vai ser recompensada…

É nesse caminho da paciência e da espera, que nos encontramos, e depois alguém nos encontra…e aí sim, aquele abraço não só aquece, aquele abraço não é apenas um abraço, aquele abraço simplesmente nunca se esquece…