O caminho

E ela que não sabia nada,

Que de nada, nada sentia…

Apenas a sua frieza e tristeza,

Dura e gelada como a noite de Inverno,

Procurava todos os dias, sem descanso

Pelo momento não conhecido

Pelo momento esquecido, que nunca sentiu…

Tanto esperou, que desesperou

E em si algo explodiu,

E o frio, deixou de ser frio,

A tristeza deixou de ser triste,

E o momento passou…

Mas ela percebeu…

Não há momento que valha a espera

Porque esperar dói

Mais vale tomar o passo

E avançar com confiança

Para um futuro desconhecido

Mesmo que o medo seja uma constante…

Ela deixou de tremer, de frio e de medo

Deu um passo e continuou

E aquilo que lhe parecia perdido

Sozinha encontrou

E pelo caminho boas surpresas surprendem

Presentes embrulhados em carinho

Fechados com um laço de esperança

Na espera de que um dia

Esta estrada onde caminha

Seja o caminho, o caminho para não estar sozinha.

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Teimosia, o tempo que nos roubas…

Já pararam para pensar que todos nós temos um pouco de teimosia no nosso ADN? Em alguns a característica é notória, de tal forma que lhe consideram característica, noutros surge apenas em circunstâncias explosivas, banais ou esporádicas…

Mas a verdade é que todos somos teimosos, apenas alguns não dão o braço a torcer tão facilmente…já pensaram no tempo que perdemos a teimar com coisas que muitas vezes acabam num “muito bem, fica com a tua que eu fico com a minha”. Quantas pessoas já viraram costas e nunca mais se falaram por causa de uma pequena discussão e que por simples teimosia se transformou numa bruta e violenta luta de território e orgulho? Se existe tanta capacidade de raiva e ódio dentro de nós, capaz de fazer com que famílias se separem por uma desavença, também existe uma enorme capacidade de perdão e compreensão. Infelizmente o mundo em que vivemos tenta tornar-nos em pessoas revoltadas, e sobrevive do nosso ódio, como se as luzes de nossa casa fossem alimentadas pelas nossas energias negativas quando o nosso nível de revolta e raiva está no ponto mais alto da escala.

Felizmente ainda existem as pessoas que sabem perdoar, pessoas com um coração tão grande que conseguem fazer-nos esquecer por alguns momentos dos problemas da nossa sociedade…pessoas que mesmo num dia cinzento esboçam um sorriso como se nada de mal lhes acontecesse. Essas pessoas são as mais felizes, porque a meio de uma discussão, sorriem e abraçam o “adversário”, essas pessoas têm a força de esquecer, perdoar, e perceber que o amor é mais importante que o ódio.

O ódio transforma-nos em pessoas frias, pessoas dementes que não sabem enxergar direito, pessoas que vêm problemas, pior, pessoas que criam problemas onde eles não existem…o ódio põe-nos doentes, tão doentes que nos dá alucinações, vemos o lado negativo dos gestos mais carinhosos ou inocentes. Esta doença deixa-nos cegos, cegos de raiva! Não é muito melhor estar cego por amor? Pelo menos a nossa alma agradece, a nossa mente eleva-se a sítios que nem sabíamos que existiam, mas não…é preferível viver num mundo obscuro em que andamos de costas vergadas com as caras a dar no chão que nem conseguimos ver se chove ou faz sol, mas também pouco importa, essas pessoas não dão valor a um raio de sol quente a bater no rosto, uma brisa fresca logo de manhã, o anoitecer calmo que nos leva para uma cama pequena junto de alguém que amamos…para uma casa cheia de pessoas que se preocupam com o nosso bem-estar…

Não…é preferível ser-se negativo, com a desculpa de que assim estamos preparados para o pior, que assim ninguém nos chateia, que assim ninguém nos vai falar…pois com certeza, ninguém vai falar com alguém que prefere ser invisível e viver de mal com o mundo, essas pessoas são esquecidas…experimentem por um dia, serem livres do ódio, abraçarem quem vos enche de teimosia em vez de responder com a mesma conversa, falar sobre assuntos que nos fazem sorrir e esquecer os que nos fazem chorar, liguem para alguém apenas para passar um tempo na conversa, para matar saudades…

Tratem de amar e cuidar quem está do vosso lado, guardem boas memórias, não deixem arrependimento em nada do que fazem, pois um dia todos vão lembrar-se daquele/a que só o seu sorriso conseguia alegrar o dia, que a sua alma era tão grande que dava para acabar com a guerra no mundo, que a sua força de vontade era tanta que dava gosto vê-la viver…

Por mais sozinhos e negativos que estejamos, todos nós queremos um dia ser lembrados…cabe a cada um de nós saber marcar essa diferença.

O caminho para a felicidade

Ultimamente uma dúvida tem atormentado os meus dias, talvez seja por andar mais cansada e não conseguir pensar seriamente sobre os assuntos…

Será que existe limite para a felicidade?Será que algum dia a gente se vai contentar com o que tem sem desejar mais nada, sem desejar mudar um pequeno pormenor, acordar a sorrir e adormecer a sorrir porque temos tudo aquilo que queriamos?

A sensação que tenho é que quanto mais construo a minha ideia de felicidade, mais exigente fico, quanto mais me magoam, mais aprendo e mais dificil fica encontrar esse ponto perfeito em que posso dizer que sou feliz. A verdade é que o tempo tem sido pouco para pensar e escrever sobre aquilo que mexe comigo, acho que estou a desprezar um pouco o meu bem-estar em troca de uma noite bem dormida…mas talvez não seja mau de todo, nem sei…podemos passar tempo demais a tentar encontrar algo que nunca vamos atingir, algo que talvez não exista, algo que nunca ninguém vai conseguir pois a vida é mesmo assim. Prefiro assim, pensar que o mundo não é feito para ser perfeito, e que eu não vou conseguir ter tudo, mas tudo o que tenho terei que dar valor, pois hoje posso ter “tudo” e amanhã não ter “nada”.

Cabe-me a mim decidir se sou feliz, se realmente encontrei aquilo que me faz feliz, sei que nunca vou encontrar o ponto alto desse sentimento, talvez um dia, mas nao me quero marterizar com isso…a nossa alma é tão grande e existe espaço para tanto…desilusões, paixões, amizades, carinho, amor, fraqueza, força…dentro de nós há espaço que chegue para não termos de pensar que um dia nada mais vai fazer falta…porque não vai…

Vai faltar sempre algo, vamos sempre olhar para algo e pensar como seria diferente se tivessemos sido diferentes…mas a verdade é que não fomos, mas temos de ser confiantes e acreditar que dentro das nossas decisões há sempre um caminho positivo, basta segui-lo, ilumina-lo com o nosso sorriso, preenche-lo com força de vontade, espalhar pétalas de rosas para que quem venha a trás veja que o nosso caminho pode não ter sido o mais fácil, mas em cada centrimeto percorrido está um pouco de nós.

Isto sim é felicidade, termos orgulho naquilo que fomos e somos, e não pensar naquilo que um dia podemos não ser.