Depressão

Como uma droga começa a consumir-nos…
Primeiro a vontade, depois o nosso ser e por fim a nossa vida.

Relato aquilo que vivi e o que vivo,
Na esperança de ajudar alguém, como não consegui ser ajudada.

Primeiro não parece nada, apenas um problema,
Tentamos dormir a pensar que amanhã ele desapareça,
Mas não, apenas cresce, e tudo o que nos perturbava antes de dormir,
Começa a aparecer durante o dia, e depois todos os dias.

Tento esconder, não quero que ninguém se preocupe,
Choro quando estou sozinha e sorrio quando estou perto de alguém,
Eles sabem que se passa algo, mas acreditam que sou forte,
E seja o que for eu ultrapasso sozinha.

Na verdade não…
Primeiro vai-se a vontade de comer,
A vontade de dormir,
A vontade de me sentir bem,
A vontade de trabalhar,
De conviver, de falar, de sorrir.
Quando já não há mais nada para nos tirar,
Vai-se a vontade de acordar,
E por fim,
A vontade de viver.

Quando isso acontece acreditem,
Não há nada que nos salve de nós próprios,
Este sofrimento aperta-me a garganta
Que dou por mim às voltas pela casa
Apenas para tentar respirar!

Grito socorro! Choro sufocada…
Deito-me na cama, abafo esse choro com a almofada,
Todos os tormentos dão voltas na minha cabeça,
Tudo é um problema, eu sou um problema!
O que ando a fazer aqui?
Se eu desaparecer alguém vai dar pela minha falta?
Não sirvo para nada, a vida nunca me sorriu,
Secalhar não fui feita para viver,
Nem tão pouco para marcar a vida de alguém.
Ninguém me ouve…estou sozinha…não quero mais…chega!

Tudo fica escuro, a paz finalmente aparece…
Não há problemas, não há ninguém, agora estou bem…
Agora alguém tem que decidir por mim,
Posso ter a sorte de alguém me procurar a tempo,
Ou então não.

Acordo, não faço ideia quanto tempo estive a dormir…
Vejo todas aquelas pessoas preocupadas comigo,
Tão preocupadas que nem são capazes de me dizer o que mereço ouvir…

Porquê? Não sei, pareceu-me fácil…
Estava cansada, esgotada, paranóica e doente.
Não espero que compreendam, nem eu sou capaz de o fazer.

Agora todos sabem, preocupam-se, e eu tento…
Não por eles mas por mim…
Esta medicação não me deixa pensar,
Bloqueia tudo o que tento sentir…
Eu tento, acreditem que tento com todas as minhas forças,
Por vocês, por mim.
Mas é tão dificil, como se tivesse que correr uma maratona todas as manhãs ao acordar,
Como se tivesse que tomar um banho frio todos os dias no inverno,
Como se tivesse que comer mais um pouco depois de estar de estomago cheio.
É um esforço, um esforço enorme.
Dói comer, dói dormir, dói falar, dói acordar, andar, sorrir.
Dói viver.

Mas eu tento, porque alguém ouviu o meu socorro e foi a tempo.

Não sei pedir ajuda, nunca soube, mas alguém percebeu.

E agora, por muito que doa, tenho que viver.
Por mim, tenho mesmo que viver.

Estas palavras são minhas, mas a história é o dia-a-dia de muita gente.

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