Detalhes*

Gosto de pequenos momentos, pequenas demonstrações de afecto,

Pequenos carinhos, coisas pequenas, daquelas que posso guardar em pequenos recipientes,

E levá-las comigo para todo o lado, sempre.

Pequenas palavras que consigo recordar com facilidade,

Pequenos gestos que marcam, ficam, permanecem para sempre no meu ser.

Locais simples, mas de uma enorme importância,

Sorrisos inocentes mas genuínos,

Pessoas humildes, mas únicas.

Tão únicas, quanto tu, quanto eu.

Tão verdadeiros como todos os pequenos momentos que partilhamos,

Tão simples como as palavras que trocamos,

Tão humildes como o teu sorriso, o teu ser.

Se é possível doer a alma de saudade, então eu sou a prova, que dói.

Uma dor gratificante, que me mostra que afinal, a vida não é feita de grandes sonhos,

Mas sim de pequenos detalhes.

Irreal.

Como é fácil estar contigo,

Viver todos os momentos de uma forma mágica,

Tão mágica que por vezes não parece verdade.

Dou por mim a pensar no teu toque,

E a respiração falha…o coração acelera…o sorriso aparece.

Tudo o que me fazes sentir é intenso, verdadeiro, chega a ser incapacitante.

Nos momentos em que os nossos olhares se cruzam,

Eles conversam, diálogos que só eles entendem.

Cada vez que os teus lábios procuram a minha pele,

O mundo congela, os olhos fecham-se como se não fosse capaz de controlar,

Os arrepios, os suores frios, beijas-me a pele mas é como se me beijasses o coração.

Tanta delicadeza, tocas-me como se fosse uma flor,

Olhas-me como quem olha o mar,

Sorris como se visses a mais bonita das paisagens.

Deixas-me a sentir que não existe mais ninguém além de mim, que me desejas,

Agarras-me como se nunca tivesses intenção de me largar.

O teu sorriso ilumina cada momento,

A tua personalidade distinta enche-me as medidas,

A tua maneira de estar inquieta-me,

A forma que me observas deixa-me nua, vulnerável, exposta.

E são assim, todos os momentos contigo são de suspirar,

Tão profundos que chegam a ser irreais.

Sentir .

No meio de um pedido sem jeito,

Que na altura não fazia sentido,

Pela situação, pelo momento, pelo ambiente, por tudo.

Os teus olhos mexeram comigo,

Fizeram-me acreditar nas tuas palavras,

Por meros momentos acreditei em ti,

Como se te conhecesse desde sempre,

Como se estivesse a fazer um favor a um amigo.

Não pensei no depois, pensei com o coração.

Pensei: E se fosse eu?

Deixei o meu lado mais irracional tomar as rédeas,

Disse-te com toda a certeza que estavas nas minhas mãos,

Que faria por ti o que faço por qualquer amigo.

Não me perguntes, não sei porquê.

Apenas sei que não me arrependo um segundo,

Foi bom conhecer-te numa situação com o mesmo adjectivo das nossas personalidades.

Loucura.

Foi um prazer ser louca contigo,

Foi um prazer ter perdido a noção do tempo no meio da loucura,

Foi ainda um maior prazer conhecer um louco, tão louco quanto eu.

Num mundo que se torna tão pequeno,

Belos são estes momentos,

Que não se pensam, não se arrepende, não se procuram.

Apenas, sentem-se.

Adormece-me

Levo-te no bolso,

Para ter-te sempre comigo. Em mim.

A ideia de ti fascina-me, prende-me, apaixona-me.

Gosto do que sinto, do que me fazes sentir…

Sonhar com o que poderás ser, de como será o teu cheiro, o teu toque.

Quero continuar a sentir que te conheço, que me queres conhecer.

(Des)Espero por ti.

Inspiro fundo, tento manter-me firme, a ideia de ti inquieta-me, destrói-me.

O silêncio, a ausência, a falta de ti.

Incrível como a falta das tuas palavras me tiram o sono.

A tua indiferença deu-me insónias.

Por favor volta, adormece-me com as tuas palavras.

Ignorantes.

Sou excentrica? Sim…
Tenho gostos estranhos? Sim…
Tenho um feitio dificil? Sim…
Sou vitima de olhares snobes na rua? Sim…
Sofro de comentários invejosos? Sim…

Nunca me contentei em ser igual, em seguir a moda, usar o cabelo como sai nas revistas ou como está no catalogo do cabeleireiro…nunca fui nem nunca hei-de ser…
Sei as consequencias, sei a dificuldade, mas tambem sei o valor que isso me dá…
Sei os comentários que recebo quando vou doente ao hospital, porque a culpa é das “coisas” que faço no corpo, enfim, ignorantes.
Não sou mais nem menos, sou humana…simplesmente não gosto de viver pelas regras…já que a sociedade me obriga a tanta coisa que não posso fugir, pelo menos no meu corpo mando eu…na minha personalidade mando eu!
É dificil andar na rua de cabeça erguida confesso, os olhares são desconfortantes, mas tristes são as mentes de quem os mandam, ignorantes.
Sabem vocês lá metade do que fui, metade do que sou…não sabem…sou apenas uma miuda tatuada, cabelo colorido e forma estranha de vestir, ignorantes.
Sou humana, tenho sentimentos, tenho emprego, responsabilidades, mas acima de tudo tenho sonhos…
Em vez de perder tempo a julgar os outros, trato de conhece-los, ignorantes.
Também quero andar na rua com alguém do meu lado sem que ninguem me olhe de cima a baixo…
Também quero estar no restaurante e disfrutar da minha refeição sem me sentir observada…
Sim, tal como vocês eu também quero partilhar o amor com alguém mas não posso, porque falam antes de me conhecerem, porque comentam, porque me julgam…
É dificil arranjar quem aguente passear comigo sem se chatear porque todos me olham…
Eu não mudo, nem me canso, apenas aprendo…
Obrigada, ignorantes.

Suspiro

Tenho saudades do amor…do teu amor, do meu amor…

Saudades daqueles afagos no cabelo, de deitar e acordar na tua cama…das tuas conversas inteligentes, dos teus conselhos adultos, dos teus sermões sobre responsabilidade.

Saudades de me sentir uma miúda a teu lado, mas uma miúda especial, que desdenhas mas queres comprar…

Nada será como foi, os tempos mudam, as pessoas mudam, as vontades escapam.

Mas os meus sonhos permanecem, e um dia hei-de ser tudo o que sonhei, tudo o que sonhaste para mim…pois eu sei que no fundo, ainda me segues…ainda te preocupas, no teu silêncio, aquele que eu arranquei de ti, aquele que eu mereço por ser como sou…

Mas tu conheces-me e sabes melhor que ninguém o que cada linha que eu escrevo consegue esconder.

És o único que consegues ler os meus olhos, chegar-me ao coração sem um único toque na pele…

Gostava de merecer-te, de verdade que sim, com todas as forças que tenho, mas contigo as minhas forças falham…és uma força mas ao mesmo tempo a minha fraqueza…

Gostava de conseguir ser-te sincera, de conseguir falar-te com o coração pois só ele sabe de verdade o que tu me fazes sentir…

A minha vida segue, e tua também…são imensos os caminhos em que me cruzo contigo, em memórias, em palavras, em simples pensamentos…

Gostava de ser corajosa, de conseguir mover montanhas por ti, de cometer loucuras por ti…mas a minha loucura está em ti…levaste-me toda a insanidade e restou apenas a consciência e não imaginas as vezes que ela me pesa…

Todas as noites que me deito e acordo sem ti, de cada vez que sinto o teu cheiro, sempre que penso ti…

Suspiro porque sei que posso amar muita gente, mas  nunca vou amar ninguém da mesma forma inocente e irresponsável como te amo a ti.

Carta vazia

Desde que abri o meu coração que me sinto nua…
Como se toda a gente conseguisse ver o que se passa em mim,
Fiquei vulneravel,
Transparente,
Insegura,
Fraca,
Só.
Apartir do momento que as minhas entranhas explodiram e se mostraram ao mundo que me sinto mais eu…
Mais fria, mais calma, mais equilibrada, mais humana…
Alguma coisa me puxou os pés á terra e me fez ver que a vida não se deve ver de cima…alguma coisa me faz chegar a casa, só, abrir a caixa de correio e encontrar algo…uma carta…um postal…uma simples publicidade para perceber que hoje não entro em casa sozinha…
Quero sentir o sorriso a aparecer á medida que vou percorrendo as palavras…
Eis que hoje chego a casa e encontro uma carta vazia…
E tal como as pessoas eu penso:
De que vale uma pessoa ao nosso lado para nos fazer companhia se a sua alma está vazia?

Por isso abro a minha alma, não quero simplesmente ser, quero marcar, quero sentir que faço a diferença…
Senão serei apenas mais uma carta vazia.

Respirar

O teu coração disparou, quando deveria ter sossegado…não houveram palavras, gestos ou sorrisos que acalmassem os teus medos, os teus receios, os teus pensamentos…
Pedi-te que acreditasses em coincidencias, e que no nosso caminho cada pessoa tem o seu papel…pedi-te que me ouvisses, que respeitasses a minha vontade, que esquecesses tudo no momento, aquele momento deveria ter sido nosso, como planeamos durante tempos, momento com o qual sonhamos, e que acabaste por torna-lo teu e só teu…
Feriste o meu desejo, quebraste tudo o que aprendi até hoje…senti-me uma criança, não é justo…não depois de tudo o que passei para conseguir controlar estes momentos…
Quiseste fugir, quiseste respirar, arrancaste as minhas mãos que repousavam no teu peito na tentativa de acalmar-te…conseguiste ver tudo o que havia de negativo, quando trabalhei durante dias para tornar um momento especial, porque apenas uma coincidencia te punha no meu caminho, nada me faz acreditar que o destino manda, pois tu decidiste o teu…
Foste, mas será que voltas?

Estrela

Durante uma noite estrelada, talvez uma das noites mais bonitas que já vi, saí para a varanda, recostei-me nas grades do muro e fiquei a admirar…
Apesar do céu estar repleto de luz, o frio tomava conta da noite, então fechei os olhos durante um arrepio, e senti o calor de uma estrela…um calor reconfortante, irresistível, um toque suave no ombro que me fez esquecer o frio da noite…
Mantive os olhos fechados para aproveitar o momento, foi então que a estrela me tocou os lábios, um arrepio subiu-me pela espinha, não de frio mas de desejo…
Quis agarrá-la com toda a força, mas tive medo de que isso a fizesse fugir…tentei controlar a respiração, tentei manter os pés no chão, tentei não me perder naquele momento…
A noite passou, e o nosso toque, a nossa respiração, a troca de olhares, tudo ficou entre nós…
Agora espero, por outra noite estrelada, em que a estrela desça novamente para me encantar com a sua presença.

Carrossel

Abriu de novo a feira popular cá na terra…aquela ansiedade de querer voltar lá não desaparece por mais anos que passem…
A verdade é que já lá estive, e sei sempre o que vou encontrar, mas aquela variedade, aqueles cheiros familiares, as multidões, mas acima de tudo o carrossel…
Não falo daqueles modernos, em que nos oferecem adrenalina mas é só fogo de vista…pagamos balúrdios por um bilhete para 30 segundos de aperto no estomago…
O que me fascina é o carrossel, aquele tipico, com os cavalinhos, as girafinhas, as chavenas a rodopiar…
Da ultima vez que aqui estive experimentei os vários, todos eles me deram alguma alegria, mas de todos a chavena rotativa sem dúvida que me marcou…
Foi nela que a volta no carrossel durou mais, ou pelo menos me pareceu…rodei e rodei, ri e sorri, fiquei com nauseas de tantas voltas mas o sentimento de felicidade continuou lá…talvez eu precisasse desse abanão…
Saí do carrossel ainda com as pernas a tremer…a cabeça ás voltas, mas com o mesmo sorriso no rosto…
Virei costas e abandonei, sem ter a certeza que no ano seguinte ali estaria outra vez…
Alguém hoje me ofereceu o bilhete para esse carrossel, como pude eu não saber que estava de volta?
Corri com medo de chegar tarde, já não bastava ter sido descuidada ao ponto de não sentir que ele ali estava, não me perdoaria se ali chegasse e já lá não estivesse…
Entreguei o meu bilhete, mas desta vez não quero experimentar os cavalinhos nem as girafinhas…vou direta á chavena…
Porque apesar das nauseas que ela me dá no fim de cada viagem, só ela me dá segurança…posso rodar e rodar para todos os lados que sei que nunca vou cair, sei que o meu sorriso vai estar sempre em cada viagem…
Saio ainda meia a cambalear, mas para compensar a minha falha, vou direta comprar outro bilhete…
E assim será até as minhas pernas não aguentarem mais…mas no dia seguinte eu volto para mais uma viagem…