2 Mundos

Nunca me canso de escrever…de colocar em palavras corretas todos os pensamentos que me correm pela cabeça e pelo corpo. Grande parte de mim está de certa forma refletida nos meus textos, porque escrevo para mim, e comigo sou sempre sincera…não há necessidade de ter medo que me julguem porque eu sei o que sou…

Por vezes canso-me de ser quem sou, fujo um pouco da pessoa que escreve e sente estas palavras…talvez fruto da minha imaturidade ou dos meus devaneios que tanto me caracterizam perante os outros.

A verdade é que sim, eu consigo ser todas estas palavras, todo este sentimento, mas a verdade é que as palavras só são perfeitas porque temos tempo e a opção de as corrigir…podemos vê-las na nossa mente antes e podemos escreve-las da forma que acharmos melhor, ou então se acharmos melhor podemos nem sequer escreve-las.

Não sou de todo o reflexo do passado, nem tão pouco um possível futuro…sou apenas aquilo que quero ser em cada momento, quando não tenho que pensar, e existe aquele risco de errar, essa adrenalina é o que poucas vezes me faz sentir viva…erro para que me doa, para que me sinta viva, para que eu consiga perceber que antes de me encontrar vou ter que me perder muitas vezes…e não é no refúgio da minha escrita que vou me vou encontrar mas sim quando essa mesma escrita que tanto me protege e faz sentir segura deixar de ser a ponte entre o meu mundo e o outro que tanto quero viver…só aí saberei que realmente cresci, e sou tudo aquilo que eu acredito, que quero fazer acreditar…

As personagens dos meus textos são comuns em ambos os mundos, apenas no meu mundo as coisas são mais fáceis, pois tenho a certeza que qualquer que seja o meu erro serei só e apenas eu a sofrer. Apenas tenho de preocupar-me em proteger aqueles que me querem bem, eu posso magoar-me mil vezes que ainda irá restar espaço para novas cicatrizes…

Aqui neste mundo sou forte, sou sonhadora, sou líder de mim mesma, sou carinhosa e atenciosa…e há-de chegar o dia em que alguém me dirá ao ouvido tudo isto, da forma como eu certamente escreveria: Intenso e Apaixonado.

Serás tu?

E se fores tu a esperança? Se fores tu a razão da minha força? Se fores tu aquilo que não procuro mas estava destinado encontrar?

Se fores tu, vais fugir ou vais ficar? Percebo a responsabilidade, não sou de todo um enigma fácil, nem tão pouco uma personalidade exposta…

Se fores tu, terás que descobrir, terás que fazer-me confiar, terás que fazer-me acreditar que és tu e só tu…

Se fores tu hei-de perceber que és só tu quem desejo, se assim for vou perceber no teu olhar (e no meu respirar) que és tu…vou perceber que tens de ser tu…por seres especial e por conseguires de mim o que ninguém consegue, o que não deixo que ninguém consiga…

Se realmente fores tu eu vou exigir de ti o que preciso e o que tenho direito, porque se eu perceber que existes apenas tu eu vou dar-te tudo o que me pedires, tudo o que não me pedires…

Serás tu? Quero usar-te e deixar que me uses, não quero cair no lamechas e que tudo seja carinho…vou dar-te o meio-termo da paixão.

Porque agora posso precisar que me afagues o rosto, mas mais logo no cair da noite posso precisar que me fales coisas obscenas ao ouvido…

Quero esse carrossel, quero que sejas tu a levar-me numa viagem sem destino, quero perder a noção do espaço e deixar que me guies! (Quero perder-me e encontrar-me várias vezes…)

Serás tu que consegues saciar o meu desejo? Que consegues fazer com que o meu corpo responda ao toque? Serás tu que com um abraço me serenas a alma e com um beijo me aceleras a pulsação?

Serás tu que me arrancas as palavras que nunca disse, que nunca pensei ter coragem de dizer? Será que vais despertar em mim o que pensei estar adormecido?

Decerto, a esta altura já sabes responder a todas as perguntas…mas agora responde-me à única que me interessa…

– Serás tu? –